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A nova ofensiva da Nokia: entre um rival do iPhone e a democratização da IA

ByCeleste Cunha

Fev 18, 2026

A Nokia, embora não seja atualmente a marca de referência no setor dos topos de gama, mantém o estatuto de uma das insígnias mais paradigmáticas da indústria móvel. A fabricante finlandesa, gerida pela HMD Global, tem atravessado diversas fases de reestruturação, desde a renovação do seu logótipo até à redefinição das suas ambições comerciais. Numa tentativa clara de recuperar a quota de mercado dominada pela Samsung e pela Apple, a empresa prepara-se agora para apresentar argumentos que farão até os consumidores mais exigentes voltarem a prestar atenção à marca, numa estratégia que combina hardware de luxo com inovações de software baseadas em inteligência artificial.

O regresso ao segmento premium com o Magic Max

No centro desta nova estratégia de hardware está o Nokia Magic Max, um dispositivo que marca o regresso da empresa aos flagships. As fugas de informação sugerem que este terminal adotará uma estética familiar, com linhas angulares e uma estrutura metálica que remetem diretamente para o design do iPhone 14. Contudo, a Nokia pretende inovar sobre esta base, adicionando, segundo os rumores, um pequeno ecrã exterior secundário, diferenciando-se assim da concorrência norte-americana.

A acompanhar o novo visual, espera-se a estreia da interface Nokia Pure UI, baseada no sistema operativo Android. Embora algumas fontes mais conservadoras sugiram um hiato temporal considerável até ao lançamento, as previsões apontam para que o dispositivo possa chegar ao mercado global no terceiro trimestre de 2023, possivelmente anunciado em agosto.

Ao nível das especificações técnicas, o Magic Max promete não desiludir. O telemóvel deverá integrar um ecrã AMOLED de 6,7 polegadas com resolução Full-HD+ e uma taxa de atualização de 120 Hz. No interior, o desempenho será garantido pelo processador Snapdragon 8 Gen 2 da Qualcomm, apoiado por opções de armazenamento entre 256 GB e 512 GB com a veloz tecnologia UFS 4.0. O módulo fotográfico traseiro triplo contará com um sensor principal de 108 MP, coadjuvado por uma ultra grande angular de 16 MP e uma lente macro de 5 MP. Todavia, o grande trunfo poderá residir na autonomia, com uma bateria surpreendente de 7.500 mAh.

Existe, no entanto, ceticismo quanto ao preço. As informações que circulam indicam um valor a rondar os 400 dólares para o mercado indiano, um montante que analistas consideram manifestamente baixo face às características apresentadas, podendo o preço final ser substancialmente superior. O equipamento deverá estar disponível em quatro cores: vermelho, verde, preto e dourado.

Parceria estratégica para a Inteligência Artificial

Paralelamente ao desenvolvimento de hardware robusto, a HMD Global está a reforçar o ecossistema Nokia através de parcerias estratégicas no campo da inteligência artificial. A empresa indiana Sarvam anunciou planos para integrar os seus recém-lançados modelos de IA nos telemóveis básicos da Nokia, bem como em automóveis e óculos inteligentes.

Apoiada por investidores de peso como a Lightspeed, PeakXV e Khosla Ventures, a Sarvam revelou, durante o India AI Impact Summit em Nova Deli, que os seus modelos de “Edge AI” são extremamente leves. Com apenas alguns megabytes, estes modelos podem correr na maioria dos telemóveis com processadores existentes e funcionar offline, sem necessidade de ligação constante à rede.

A colaboração com a HMD Global prevê o lançamento de um assistente de conversação nos dispositivos da marca. Numa demonstração recente, foi possível observar um utilizador a premir um botão de IA num telemóvel básico para conversar com o assistente na sua língua nativa, recebendo conselhos sobre programas governamentais ou mercados locais. Ainda não foi esclarecido se todas as funcionalidades demonstradas estarão integralmente disponíveis sem ligação à internet.

Expansão para novos dispositivos e infraestruturas

Esta aposta na inteligência artificial estende-se para além dos telemóveis. A Sarvam está a trabalhar em estreita colaboração com a Qualcomm para adaptar os seus modelos aos chips da fabricante norte-americana, integrando-se na “Sovereign AI Experience Suite”, que abrange desde PCs a soluções IoT. Vivek Ragavan, cofundador e CEO da Sarvam, sublinhou que esta colaboração acelerará a transição da IA soberana da investigação para a implementação em larga escala, garantindo a proteção de dados ao processar a informação localmente no dispositivo.

Adicionalmente, foi anunciada uma parceria com a gigante alemã de engenharia Bosch para integrar assistentes de IA em sistemas rodoviários automóveis. Num passo em direção ao hardware próprio, a Sarvam revelou ainda os Sarvam Kaze, uns óculos inteligentes desenvolvidos e fabricados na Índia, cujo lançamento está previsto para maio, posicionando-se inicialmente como um dispositivo para programadores.