O terramoto romeno na internet fixa nacional A entrada da DIGI no mercado português prometia agitar as águas, mas os dados mais recentes da nPerf mostram que a revolução foi muito além das meras expectativas do setor. O barómetro anual sobre as ligações fixas de internet em Portugal, já referente ao ano de 2025, coloca a nova operadora isolada no topo da tabela. Os números agora revelados assumem uma dimensão particularmente expressiva quando os comparamos com o resto do panorama nacional. A empresa registou uma média de velocidade de download de 642,6 Mbps, um valor que praticamente duplica aquilo que a concorrência direta tem conseguido oferecer. A título de exemplo, a Vodafone, que garantiu o segundo lugar da lista, não foi além dos 278,3 Mbps. No que diz respeito ao upload, o fosso mantém-se impressionante, com a DIGI a alcançar os 521,9 Mbps face aos modestos 166,0 Mbps da segunda classificada.
Latência de excelência face aos gigantes do mercado Para além da demonstração de força na velocidade bruta, a estabilidade da ligação revelou-se um fator decisivo nesta avaliação. A operadora obteve a melhor latência de todo o mercado, fixando-se nuns meros 14,3 ms. Esta capacidade de resposta quase imediata torna-se um detalhe fundamental para quem passa grande parte do dia em videochamadas ou consome videojogos online com frequência. O estudo, que ganha força e credibilidade por assentar em 125 985 testes realizados ativamente pelos próprios utilizadores, atribuiu à DIGI um score total inalcançável de 156 710 nPoints.
Logo atrás surgiu a Vodafone com 131 440 pontos, enquanto a NOS fechou os lugares de pódio com 129 036 pontos e o prémio de consolação da segunda melhor latência (16,4 ms). O grande sobressalto recaiu sobre a MEO, que caiu para a quarta posição com 128 976 pontos, valendo-lhe apenas um bom desempenho no streaming de vídeo e o terceiro lugar no upload. Importa, contudo, contextualizar que estes resultados técnicos de excelência contrastam ligeiramente com a atual realidade administrativa da nova líder, cujas falhas no serviço de apoio e instalação foram recentemente expostas num comunicado da DECO.
O contra-ataque europeu e a aliança de peso Enquanto o mercado nacional assimila esta mudança de paradigma impulsionada por um novo interveniente focado na infraestrutura local, as operadoras históricas unem esforços além-fronteiras para garantir a sua relevância futura. Durante o Mobile World Congress (MWC) de 2026, gigantes como a Deutsche Telekom, Orange, Telefónica, TIM e, curiosamente, a própria Vodafone, anunciaram um marco histórico para a infraestrutura digital do continente. O evento serviu de palco à primeira demonstração ao vivo do “European Edge Continuum”, um sofisticado ambiente de edge computing federado que abrange os cinco maiores operadores da Europa.
Uma infraestrutura unificada sem fronteiras A referida federação de ambientes edge permite uma implementação contínua, automática e altamente segura de aplicações em toda a pegada europeia destas empresas. A iniciativa conta com o apoio estratégico de componentes desenvolvidas no âmbito do projeto IPCEI-CIS e tem financiamento assegurado pelo programa Next Generation EU. Estando já plenamente operacional em ambientes de laboratório e de pré-produção, este é um passo decisivo rumo à sua inevitável comercialização à escala industrial.
A grande vantagem tecnológica traduz-se na capacidade de permitir aos clientes e programadores acederem aos vastos recursos de múltiplos operadores através de um único ponto de entrada. Na prática, isto cria as fundações perfeitas para uma alocação dinâmica de cargas de trabalho. As aplicações passam a ser distribuídas de forma inteligente pela rede federada, otimizando não só o desempenho geral como a eficiência de custos, ao mesmo tempo que asseguram a continuidade do serviço mesmo quando os utilizadores andam em trânsito entre diferentes redes europeias.
Soberania digital construída na Europa A visão partilhada pelos líderes destas grandes empresas de telecomunicações revela um compromisso claro com a independência tecnológica da região. Representantes das várias empresas sublinharam a importância crítica deste consórcio aberto. Claire Catherine Chauvin, em nome da Orange, destacou que a interligação destes ambientes gera uma rede escalável capaz de responder às altas exigências do tecido empresarial. Partilhando de uma perspetiva semelhante, Cayetano Carbajo, da Telefónica, considerou que este salto qualitativo simplifica a forma como as empresas distribuem aplicações e garante a tão desejada soberania digital. Andrea Calvi, representante da TIM, fez questão de vincar que a Europa possui todas as ferramentas para liderar a inovação através de soluções robustas e seguras.
Desenhado de raiz como um ecossistema inteiramente aberto, o projeto já se encontra a trabalhar na integração de outras comunidades de código aberto e programadores externos. Christine Knackfuß-Nikolic, executiva da T-Systems, foi perentória ao afirmar que esta aliança prova, de uma vez por todas, que a Europa deixou de apenas debater a soberania digital para passar a construí-la de forma palpável. Marco Zangani, da Vodafone, reiterou por fim que a atual colaboração não só aumenta a competitividade como reforça a resiliência do continente através de uma conectividade transfronteiriça omnipresente. O foco a curto prazo passa agora pela abertura do ecossistema a novos parceiros da indústria e pela aceleração da chegada destes serviços ao mercado.