O Xiaomi 15T Pro é, mais uma vez, aquele “quase-topo-de-gama” que te vai deixar a coçar a carteira. É um pacote extremamente competente para esta segunda metade de 2025 e, depois de ter andado com o bicho nas mãos durante a última semana como telemóvel principal, confesso que fiquei surpreendido. Muito desta surpresa assenta numa autonomia fenomenal. A bateria abismal de 5500 mAh, suportada por carregamentos de 90 W por cabo e 50 W sem fios, atira-te com uma facilidade tremenda para um dia e meio de uso sem precisares da tomada. Junta-lhe o MediaTek Dimensity 9400+ emparelhado com 12 GB de RAM a bombar debaixo do capô, e tens uma máquina onde o desempenho de topo é garantido.
Ponto prévio para o elefante na sala que é o preço. Estamos a falar de um equipamento que arranca nos 899,99 euros no nosso país para a versão base, sendo que a variante de 1 TB que testei já bate nos 999,99 euros. É um valor que o encosta perigosamente aos topos de gama a sério, ainda que durante a pré-venda a Xiaomi tenha adoçado o negócio com a oferta de um Redmi Pad 2 Pro. Como já é apanágio desta linha, a tendência será para o preço ir escorregando com o tempo, tornando o negócio bem mais apetecível.
No que toca à estética e construção, não há aqui uma revolução, mas sim uma evolução refinada, visível no ligeiro redesenhar do módulo traseiro. O telemóvel ostenta uma aura indubitavelmente premium. Sente-se incrivelmente bem na mão — os 210 gramas e 8 mm de espessura dão-lhe uma estampa sólida, e dá um gozo desgraçado usá-lo sem a capa que vem na caixa. O chassi em liga de alumínio e o vidro Gorilla Glass 7i, de mãos dadas com a manutenção da certificação IP68, mostram que ele não se faz rogar na resistência. A cor dourada Mocha, com o seu acabamento fosco, faz um trabalho brilhante a esconder as dedadas, mas se não for a tua praia, tens sempre os clássicos preto e cinzento.
E depois caímos no ecrã, que é um autêntico piscar de olhos à malta do gaming. Os 144 Hz de taxa de atualização num painel AMOLED de 6,83 polegadas são um mimo absoluto. Com margens finíssimas, um pico de brilho absurdo de 3200 nits e suporte para Dolby Vision e HDR10+, tens nas mãos uma máquina soberba para derreter horas em jogos pesados como o Genshin Impact ou a fazer scroll infinito. A fluidez é irrepreensível e a visibilidade sob luz solar direta não vacila.
Nas câmaras, a parceria com a Leica volta a justificar os pergaminhos. O sensor principal de 50 MP e a teleobjetiva 5x entregam uma qualidade fotográfica de topo, com aquele tratamento de cor característico da marca alemã. Os únicos sacrifícios reais no meio de tanto hardware premium estão na lente ultra grande angular de 12 MP e na câmara frontal, que infelizmente não acompanham o ritmo vertiginoso do resto do conjunto.
Mas nem tudo é hardware, e é exatamente no software que a conversa ganha um contorno inesperado. Historicamente, o calcanhar de Aquiles tem sido o HyperOS, ainda algo atolado em bloatware e apps pré-instaladas que ninguém pediu. Curiosamente, a Xiaomi decidiu usar esta janela temporal para agitar o ecossistema, arrancando com o programa Developer Preview do antecipadíssimo Android 17 Beta. E a grande surpresa surgiu na nomenclatura. Em vez de passarem para o HyperOS 3.2 ou darem o salto mortal para o HyperOS 4, estas primeiras builds de teste aterraram como HyperOS 3.3. É uma jogada peculiar que indicia uma mudança tática na forma como a marca chinesa planeia casar o seu software com a nova arquitetura de base da Google.
Se tens sangue na guelra para estas coisas, convém saber que o acesso a esta Preview ainda é exclusivíssimo, estando restrito a apenas quatro modelos topo de gama, embora o leque deva alargar em breve. Só que a regra de ouro dos especialistas mantém-se inflexível: tem noção de onde te estás a meter. Estas versões iniciais costumam ser um campo minado de bugs, funcionalidades a meio gás e engasgos severos com apps de terceiros. A recomendação é que só instales a Beta num telemóvel secundário e, claro, fazeres backup de tudo para a cloud ou para um disco antes de inventares. A brincadeira também exige recursos. Precisas de ter pelo menos 10 GB de espaço livre e uns 40% de bateria para garantir que a instalação não morre a meio e te deixa com um pisa-papéis de mil euros.
O processo de instalação não é para nabos. Exige a confirmação do firmware base correto, descarregar o pacote da ROM diretamente para o armazenamento interno e ir pescar o ficheiro de atualização forçando-o através de um menu escondido nas definições do atualizador do HyperOS. Felizmente, se a experiência Beta se tornar um pesadelo de instabilidade, não ficas completamente agarrado. A marca disponibiliza os links com os firmwares de recuperação para fazeres o downgrade de volta à build estável anterior. Acaba por ser um paradoxo engraçado: por um lado, o telemóvel é uma máquina madura e super fiável no dia a dia; por outro, serve de porta de entrada para um autêntico recreio caótico para quem gosta de viver no limite do software.